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2. O VISÍVEL E O INVISÍVEL
2. O VISÍVEL E O INVISÍVEL

Uma tentativa para ver o mundo à nossa volta como ele realmente é, e não como parece ser. Essa é a descrição clássica do mapeamento espiritual. Um importante pressuposto por detrás do mapeamento espiritual é que a realidade é mais do que nos parece à superfície. As coisas visíveis de nossa vida diária — árvores, pessoas, cidades, estrelas, governos, animais, profissões, artes, padrões de comportamento — são 

coisas comuns, e podemos aceitá-las como são. Entretanto, por detrás de muitos dos aspectos visíveis do mundo ao nosso redor pode haver forças espirituais, áreas invisíveis da realidade que podem ter maior signi­ficação final do que as realidades visíveis.

O apóstolo Paulo deixou isso fortemente entendido quando escreveu: "...não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas" (2 Co 4.18).

Paulo ensinou que, ao reconhecermos a diferença entre o que é visível e o que é invisível, somos resguardados e "não desfalecemos" (ver 2 Co 4.16). Mas desanimar quanto a quê? Ele mencionou nova­mente o desânimo — "não desfalecemos" — no primeiro versículo do quarto capítulo, para então lamentar-se de que os seus esforços evangelísticos não surtiam tanto efeito quanto ele desejava que surtis­sem. "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto", escreveu ele. Por quê? Porque "o deus des­te século" cegou as mentes dos incrédulos (ver 2 Co 4.3, 4).

Entendo que a mensagem paulina significa que devemos reco­nhecer que a batalha essencial pela evangelização do mundo é uma batalha espiritual, e que as armas dessa guerra não são carnais, e, sim, espirituais. E também cumpre-nos reconhecer que Deus nos deu um mandato para podermos desfechar uma guerra espiritual que seja in­teligente e agressiva. Se pudermos entender isso, o processo de evangelização do mundo será acelerado. Compreender as diferenças que há entre o visível e o invisível é um dos mais importantes compo­nentes do plano geral de batalha, capaz de quebrar o domínio exercido pelo inimigo sobre as almas perdidas, que estão perecendo.

INFLAMANDO A IRA DE DEUS

A principal passagem bíblica que nos mostra a distinção entre o que é visível e o que é invisível, o primeiro capítulo da epístola aos Romanos, também é o grande trecho sobre a ira de Deus. É compre­ensível que a ira de Deus não seja um de nossos temas favoritos, pelo que não há muitos livros escritos sobre ela, e nem se ouve muitos sermões a esse respeito. Todavia, a ira é um atributo de Deus. Isso significa que não é apenas algum humor passageiro, que vem e que vai, e, sim, uma parte da própria natureza divina. Deus é Deus de ira. Ele também é Deus de justiça, Deus 

de amor, Deus de misericórdia e Deus de santidade. Essa lista poderia prosseguir, mas Romanos 1.18-31 é trecho que trata do Deus da ira.

Escreveu Paulo: "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça" (Rm 1.18). Essa enlouquecida injustiça tem tudo diretamente a ver com o visível e com o invisível. Permita-me o leitor que eu explique.

 Deus criou o mundo a fim de manifestar a sua glória. Todo ser humano foi criado para glória de Deus. Os seres humanos ocupam uma posição superior à de outros objetos da criação, porque somos os únicos que foram criados à imagem de Deus.

 Por que Deus criou o mundo? Ele criou o mundo a fim de mani­festar a sua glória. Paulo esclareceu que, através das "coisas que estão criadas", ou seja, dos aspectos visíveis da criação, "as suas coisas invisíveis... se entendem, e claramente se vêem". Tudo quanto vemos na criação de Deus, sem qualquer exceção, foi originalmente criado para revelar "o seu eterno poder" e "a sua divindade" (ver Rm 1.19,20).

Que significa isso para nós? Para começo de conversa, significa que todo ser humano foi criado para glorificar a Deus. Os seres huma­nos ocupam um nível superior ao de outros objetos da criação, porquan­to somos os únicos seres que foram criados à imagem de Deus. Todo ser angelical também foi criado para que glorificasse a Deus. E outro tanto deve ser dito acerca de todo animal, planta, corpo celeste, monta­nha, iceberg, vulcão, urânio, para mencionarmos apenas algumas coi­sas. A cultura humana também faz parte da criação divina, tendo por desígnio glorificar a Deus. Abordarei a questão da cultura humana, com algum detalhe, conforme for avançando neste capítulo.

CORROMPENDO A CRIAÇÃO DE DEUS

A verdade da questão é que no nosso mundo nem todos os as­pectos da criação glorificam a Deus. Certos seres humanos têm to­mado coisas criadas e as têm corrompido, de tal maneira que tais coisas não mais revelam a glória de Deus. Pois eles modificaram a glória de Deus, reduzindo-a à "semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis" (Rm 1.23). Deus fica literalmente furioso quando vê que aquilo que foi criado para redundar em sua glória foi 

transferido, especificamente, para seres humanos, aves, mamíferos e répteis. Quando esses objetos visí­veis da criação são manipulados para representarem os poderes so­brenaturais, isso libera a ira de Deus.

Se acompanharmos na Bíblia as referências à ira de Deus, fica claro que coisa alguma desperta tanto a ira de Deus como adorar e servir "mais à criatura do que ao Criador" (Rm 1.25). E Deus abomina tal coisa, sobretudo quando os seres humanos usam o que é visível para glorificar a Satanás e a outros seres demoníacos. A mera leitura dos capítulos primeiro a décimo nono do livro de Jeremias infunde temor no coração de qualquer um que ouse fazer tão horrenda coisa, conforme o povo de Judá inclinava-se por fazer, a despeito das adver­tências de Jeremias. Eles estavam dizendo à mera madeira "Tu és meu pai"; e à pedra: "Tu me geraste" (Jr 2.27). Isso magoa tanto a Deus que ele considera tal atitude como se fosse adultério: "Ora, tu te maculaste com muitos amantes" (Jr 3.1). E disse também o Senhor: "(Israel) adulterou com a pedra e com o pau" (Jr 3.9).

Não penso que a ordem de apresentação dos Dez Mandamentos tenha surgido por mero acaso. Deus abomina o homicídio, o furto, a imoralidade, a violação do descanso e a cobiça. Mas todos esses man­damentos aparecem depois do primeiro e do segundo mandamentos: "Não terás outros deuses diante de mim". E também: "Não farás para ti imagem de escultura..." (Êx 20.3 e 4). O primeiro mandamento tem a ver com o que é invisível; e o segundo, com o que é visível.

Penso que é seguro afirmar que nenhum pecado é pior do que usar o visível para dar honra e glória aos principados demoníacos. Nenhuma outra coisa provoca tanto a Deus ao ciúme e à ira.

O Japão e o Sol Nascente

O Japão, que serve de exemplo, é conhecido como "país do sol nas­cente". O sol, naturalmente, é uma característica da criação de Deus, cujo propósito é glorificá-lo. A bandeira japonesa exibe somente o sol. Esse é o símbolo dessa nação. Mas o sol da bandeira japonesa glorifica a Deus? Não. O sol é ali usado com o propósito intencional de glorificar Amaterasu Omikami, a deusa-sol que é reconhecida em um santuário como o espírito territorial que governa o Japão.

As pessoas deveriam olhar para a bandeira japonesa e, então, dizer: "Louvado seja Deus!" Em vez disso, porém, elas glorificam a criatura, em lugar do Criador.

A Lava do Havaí

Quando, recentemente, dirigi uma conferência sobre guerra espiritual, nas ilhas Havaí, descobri que muita gente só vivia pensando em ro­chas formadas pelo vulcão Kiluea. As pessoas deveriam contemplar essas belas rochas feitas de lava solidificada e então exclamar: "Gló­ria a Deus! Nosso Deus é fogo consumidor". Ele é o Criador dessas rochas de lava.

Mas não. Muitos habitantes do Havaí olham para essas rochas e dizem: "Glória à deusa Pele! Se não a honrarmos, ela nos consumirá a fogo". E qual será a atitude de Deus? De acordo com o primeiro capítulo de Romanos, isso somente o provoca à ira.

O Grande Canhão

A maioria dos crentes norte-americanos concorda que, no que tange a características naturais, o Grand Cânion * não tem rival como mani­festação visível da majestade de Deus. Poucos cidadãos norte-ameri­canos, sem embargo, reconhecem, conforme fizeram David e Jane Rumph, que há aqueles que têm corrompido sistematicamente esse fenômeno geográfico, tornando-o um monumento da idolatria geográ­fica. Em um artigo recente, eles disseram que uma "ira justa" borbotou de dentro deles, ao contemplarem as perversas forças invisíveis, agora glorificadas pelas características visíveis da natureza. É lamen­tável que a vasta maioria dos pontos marcantes do Grand Cânion foram chamados por nomes de principados e potestades das trevas. Alguns glorificam os espíritos egípcios: a torre de Rá (ou Ré), a pirâmide de Quéops, o templo de Osíris. Outros glorificam principa­dos hindus: o ribeiro de Vishnu, o santuário de Rama, o santuário de Krishna. Ou então glorificam divindades gregas e romanas: o templo de Júpiter, o templo de Juno, o templo de Vênus, só para fazer uma seleção ao acaso. 

isso o ribeiro do Panteão, o canhão Assombrado e o ribeiro do Dragão de Cristal, e você terá aí uma fórmula segura para provocar a ira de Deus.

Gosto da reação do casal Rumph. Eles sugerem que deveríamos "arrepender-nos humildemente em favor de nosso povo, por causa de seu pecado coletivo, declarando que o lugar pertence, com todos os direitos, a Deus, intercedendo diante do Senhor para que o Senhor seja honrado ali, através de novos nomes".1

AFIRMANDO A CULTURA

Estamos vivendo em uma época, ao redor do mundo, mas so­bretudo nos Estados Unidos da América, quando se está desenvol­vendo um novo respeito pela cultura. Está-se tornando moda reafir­mar a cultura e advogar uma sociedade multicultural. Mas não de­vemos permitir que isso ponha uma venda nos crentes. Precisamos entender isso à luz do que é visível e do que é invisível. Por detrás de formas culturais, tal como por detrás das rochas de lava do Havaí, pode jazer tanto o poder invisível do Criador quanto o poder invisível dos demônios. Se ignorarmos isso, podemos tornar-nos desnecessa­riamente vulneráveis diante de ondas devastadoras de uma demonização em alto nível.

A cultura humana, conforme tenho mencionado, faz parte da criação de Deus. Portanto, a cultura é boa em si mesma. Trata-se de um dos elementos visíveis designados a glorificar o Criador. Esse é um ponto tão crucial que quero reforçá-lo, fazendo referência à questão tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento.

A Torre de Babel

O livro de Gênesis revela-nos as origens culturais. De acordo com o capítulo onze do Gênesis, houve um tempo em que a raça humana tinha uma única cultura. Mas o propósito original de Deus era que a raça humana se espalhasse por toda a face do planeta, formando cul­turas diversas. Os homens, porém, seguindo a sua natureza decaída, pensaram que tinham um plano melhor que o de Deus, e assim resol­veram reverter o processo de dispersão consolidando-se em torno de uma torre, a torre de Babel. E começaram a construir deliberadamente a 

torre: "...para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra" (Gn 11.4).

A torre de Babel era uma estrutura visível. Qual seria o fator invisível? Os arqueólogos dizem-nos que a torre tinha a forma de um típico zigurate, uma bem conhecida estrutura antiga, que visava aos propósitos do ocultismo. Eles desejavam contar com uma torre "cujo cume toque nos céus", a fim de atrair o poder satânico que possibili­tasse o seu movimento ecumênico. E, assim, estavam usando o visível para glorificar a criatura, em vez do Criador.

A reação de Deus já era previsível. Deus ficou irado. Com um único golpe, o Senhor arruinou os planos deles, confundindo-lhes as línguas, e eles começaram a espalhar-se, conforme Deus tinha deter­minado que fosse feito. E assim a raça humana terminou "nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações" (Gn 10.5).

Os eruditos da Bíblia estão divididos em suas opiniões se as cultu­ras humanas hoje existentes são um castigo de Deus (plano B de Deus) ou são um propósito de Deus (plano A de Deus). Acredito que as culturas fazem parte do propósito criador de Deus, plano A. Por ocasião da torre de Babel, Deus não modificou os seus planos a longo prazo, mas tão-somente os acelerou. De acordo com o meu ponto-de-vista, o que poderia ter ocorrido através de séculos ou milê­nios, aconteceu em um único instante.

Antes de tudo, é muito próprio de Deus produzir a diversidade. Consideremos as diferentes variedades de borboletas que Deus criou. Ou de peixes. Ou de flores. O mundo é muito melhor com a sua diversidade do que sem ela. Culturas diversas, pois, ajustam-se ao padrão divino seguido na criação.

O Dom Remidor

Cada cultura ou cada grupo étnico, ou mesmo cada nação, entra com a sua contribuição particular, como nenhum outro ajuntamento humano poderia fazer. Muitos, seguindo a obra pioneira de John Dawson, Re­conquiste Sua Cidade Para Deus, referem-se a essa característica ímpar da cultura humana como um "dom remidor".2 Um dos aspectos cruciais do mapeamento espiritual consiste em identificar o dom remidor, ou então, conforme outros crentes dizem, o propósito redentor de uma 

cidade, ou nação ou qualquer outro formigueiro humano. De fato, essa é a sua parte mais crucial. Em última análise, nosso alvo não é desmas­carar as fortalezas satânicas, nem expor o ludibrio do ocultismo, e nem continuar efetuando o mapeamento espiritual, e nem amarrando os principados e as potestades do diabo. Nosso alvo é restaurar a glória de Deus quanto a cada detalhe de sua criação. Conhecer o dom remidor de Deus que provê uma direção específica e positiva para as nossas orações e para outras atividades da guerra espiritual.

Nosso alvo consiste em restaurar a glória de Deus em todos os detalhes de sua criação. Conhecer o dom remidor de Deus provê uma orientação específica e positiva para as nossas orações e para outras ativi­dades da guerra espiritual.

Se porventura restar qualquer dúvida se as culturas humanas fa­riam parte do propósito intencional de Deus, isso deve ser resolvido pela declaração do apóstolo Paulo, ao falar no Areópago de Atenas. Ali, asseverou ele: "...de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação" (At 17.26). E qual foi o propósito de Deus ao produzir tantos grupos étnicos ou culturas dife­rentes? "...para que buscassem ao Senhor..." (At 17.27). Isso expri­me, com toda a clareza, um propósito remidor.

As Más Novas: A Cultura Corrompeu-se

As boas novas anunciam que as culturas humanas tinham por desíg­nio glorificar a Deus. E as más novas afirmam que, em sua maior parte, essas culturas não glorificam a Deus, pois Satanás conseguiu corrompê-las. O alvo primário de Satanás é impedir que Deus seja glorificado. Ele fez isso desde o princípio, ao provocar a queda de Adão e Eva, corrompendo assim a própria natureza humana, que fora criada segundo a imagem de Deus. E, então, usando multidões de seres humanos depravados, ele tem levado avante essa perversa ati­vidade no nível da sociedade como um todo.

Paulo acompanha esse tema em seu sermão no Areópago, uma mensagem inteira sobre o que é visível e o que é invisível. Ele pregou esse sermão porque "o seu espírito se comovia, em si mesmo, vendo a 

cidade tão entregue à idolatria" (At 17.16). Nesse sermão, Paulo salientou duas formas culturais comuns, com grande freqüên­cia usadas para glorificar as forças demoníacas tenebrosas: os tem­plos e a arte. Atenas estava cheia de templos e, no entanto, "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens" (At 17.24). Atenas era famosa por suas obras de arte. Não obstante, "...não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra, esculpida por artifício e imaginação dos homens" (At 17.29).

Não há que duvidar que tanto a arquitetura quanto todas as de­mais artes podem glorificar a Deus; e, assim, realmente acontece em grande parte desses engenhos da inteligência humana. Mas também podem servir de instrumentos prediletos para glorificação da criatura, Satanás e suas cortes, e não do Criador.

Os antropólogos costumam analisar coisas como a arquitetura e a arte, bem como o comportamento humano em várias culturas. Eles são capazes de distinguir, e com notável exatidão, as formas, as fun­ções e os significados dos componentes culturais. Mas até mesmo os melhores cientistas sociais só podem examinar aquilo que é visível. Para que possam ir mais fundo do que isso já se tem de apelar para uma dimensão que é estranha para a antropologia cultural — o discernimento de espíritos. A antropologia vê a cultura como ela pa­rece ser, ao passo que o mapeamento espiritual tenta enxergar a cul­tura como ela realmente é.

Os primeiros missionários evangélicos, destreinados como eram na antropologia cultural, conforme o são os missionários contemporâ­neos, caíam em um equívoco crasso. Quando penetravam em outra cultura, sabiam que havia um inimigo qualquer, mas concluíam erro­neamente que esse inimigo era a cultura diferente. Faziam o melhor que estava ao alcance deles, mas deixavam para trás muitas coisas de que agora nos lamentamos. Hoje compreendemos que nosso inimigo não é alguma cultura diferente da nossa, e, sim, Satanás. Nossa tarefa central é distinguir onde o invisível corrompeu o visível, e, então, cuidar do problema mediante um encontro de poder (2 Co 10.4, 5).

Nosso alvo é bloquear a obra de Satanás e trazer à tona o dom remidor de Deus, e não destruir a cultura de algum povo ou nação.

REAFIRMANDO AS CULTURAS NAS AMÉRICAS

Não é mister algum extraordinário discernimento de espíritos para saber que uma das mais poderosas fortalezas do inimigo, na socieda­de norte-americana, remonta à escravidão, e que, em nossos dias, manifesta-se de forma igualmente virulenta por meio do racismo. Te­mos procurado e continuaremos buscando meios e modos políticos para vencer essa corrupção da nossa sociedade, embora pareça que cada passo para a frente produz um idêntico passo para trás.

A Proclamação da Emancipação, feita por Lincoln, que libertou os escravos norte-americanos, em 1863, foi um passo para a frente. Mas houve em seguida um passo claro para trás, devido à resultante supremacia branca, que desenvolveu padrões culturalmente perver­sos como a "assimilação" (isto é, os negros precisavam tornar-se como os brancos, a fim de serem aceitos), ou como o slogan enganador, como "a América é um cadinho que dissolve tudo" (isto é, todos os cidadãos americanos são iguais). Pois misturam uma coisa boa — "todos deveríamos ser cegos para a cor da pele" — com uma coisa ruim — "somos cegos para o nosso racismo".

Foram necessários cem anos, até que o Movimento dos Direitos Civis da década de 1960 começou a propalar essas idéias. Foi então que começamos a descobrir que o negro é bonito, e que os negros podem continuar sendo negros e serem bons cidadãos norte-america­nos. Começamos a valorizar a cultura afro-americana, bem como as culturas de nossas outras minorias norte-americanas. Esse foi o passo para a frente. Mas o passo para trás, que é tão novo que muitos nem ainda se deram conta do que está sucedendo, é uma abertura perigosa e um tanto ingênua para o paganismo. Aqui é onde ficam diretamente ligados o visível e o invisível.

Exagerando a Tolerância

A tolerância é o contrário da discriminação. No esforço por reafirmar o pluralismo cultural, a tolerância torna-se um conceito altamente valorizado. Grupos intolerantes, como a Ku Klux Klan, são considerados des­vios sociais infelizes em nossos dias. Esse é um passo para a frente.

Meu temor é que, quando a tolerância torna-se exagerada, pode haver dois passos para trás, e no fim tudo pode acabar pior do que no 

começo. Isso é assim porque, embora as formas visíveis da cul­tura possam ser neutras e mereçam ser toleradas, isso não ocorre no caso de todos os poderes espirituais que se postam por detrás de certas formas culturais. Salomão descobriu isso quando trouxe mu­lheres de diferentes culturas para o seu harém. As mulheres e as artes e artefatos que elas trouxeram de suas culturas pagãs eram uma coisa. Os principados e potestades demoníacos que vieram com aquelas mulheres eram algo bem diferente, o que acabou provocan­do a queda de Salomão (ver 1 Rs 11.4-10). O que era invisível veio na esteira do que era visível.

Em nossos dias, dos bons cidadãos norte-americanos espera-se que eles tolerem qualquer coisa, desde estilos de vida próprios do homossexualismo até às religiões orientais. Multiculturalismo é uma espécie de senha nas universidades. Jornalistas, artistas, mestres e juízes precisam ser "politicamente corretos". Mas notemos aonde isso nos conduz. Quando a tolerância torna-se suprema, a única coisa que não pode ser tolerada é a intolerância. O cristianismo, por sua própria natureza, é visto como uma religião intolerante, porque reivindica que Deus é absoluto, que a sua Palavra é a verdade, que a sua moralidade é normativa, e que somente por meio de Jesus Cristo os seres huma­nos perdidos podem recuperar o seu relacionamento pessoal com ele. O cristianismo bíblico, pois, está longe de ser considerado politica­mente correto.

Eis a razão pela qual não podemos orar ou ler nossas Bíblias ou apor os Dez Mandamentos nas paredes de nossas escolas públicas. Esse também é o motivo pelo qual a universidade de Washington está requerendo dos líderes da Campus Crusade que assinem formulários requerendo que abram seus postos de liderança a todos os estudantes, sem importar o credo religioso ou a orientação sexual destes últimos. Tim Stafford noticiou: "Em Stanford, as pessoas podem dizer pratica­mente qualquer coisa a respeito dos homens brancos ou dos fundamentalistas religiosos; mas ai daquele indivíduo que disser ou fizer qualquer coisa considerada ofensiva para os oprimidos: as mu­lheres, os homossexuais, os incapacitados ou as pessoas de cor".3

Isso já é ruim por si mesmo, mas o mais alarmante é que tais atitudes estão começando a penetrar na corrente principal do cristia­nismo bíblico. Pesquisas recentes, feitas por George Barna, têm reve­lado que somente 23% dos crentes evangélicos e regenerados acredi­tam que existe tal coisa como a verdade absoluta!4 Não admira que alguns deles estejam questionando a necessidade de um evangelismo agressivo. Para esses, talvez a fé em Jesus Cristo, como Salvador e Senhor, na verdade não seja assim tão crucial, afinal de contas!

Quando contemplamos esse fenômeno à luz do que é visível e do que é invisível, não estamos jogando nenhum jogo cultural. Antes estamos convidando novamente o paganismo para a nossa sociedade, à guisa de tolerância. E isso fornece fortalezas para os espíritos territoriais invadirem e assumirem o controle da vida de nossa socie­dade. Isso atrai a demonização da sociedade, bem como o desastre final para um grande número de pessoas.

Que Fazem os Poderes das Trevas?

Quão perigoso é esse desenvolvimento? Quando as forças demonía­cas passam a controlar a sociedade, muitas coisas podem acontecer. Na América do Norte estamos vendo algumas delas começarem a acontecer diante de nossos olhos. Exemplificando:

1. Podem provocar o ressurgimento do racismo sob formas novas e mais violentas. Minorias podem voltar-se contra outras minorias, como os conflitos entre os afro-americanos e os coreo-americanos, ou entre os hispano-americanos e os afro-americanos.

2. Podem forçar os sistemas legislativo e judiciário para que lega­lizem supostos direitos de grupos que exercem pressão, sem importar quão danificadoras sejam essas causas para a socie­dade como um todo, a longo prazo. Direitos exagerados dos animais, direitos dos homossexuais, questões ambientais triviais e aborto por conveniência são vistas como medidas politica­mente corretas.

3. Podem abrir as portas para a decadência moral. Quando as pes­soas adoram a criatura, e não o Criador, a moralidade naufraga, conforme o primeiro capítulo da epístola aos Romanos nos mos­tra em termos inequívocos. A sociedade pode tornar-se tão ruim que Deus entrega tal povo à vontade deles. Por três vezes, no primeiro capítulo de Romanos, Paulo repete: "Deus entregou". Mas entregou-os a quê? (1) Às "concupiscências de seus cora­ções, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si" (1.24); (2) "varão com varão, cometendo torpeza" (1.27); (3) "a um sen­timento perverso, para fazerem coisas que não convém" (1.28). E isso é seguido por uma das mais revoltantes listas de práticas pecaminosas que podem ser encontradas na Bíblia. Lamentavel­mente, cada item que há nessa lista pode ser encontrado nas pri­meiras páginas dos jornais de nossas cidades americanas, em nossos dias.

O DESAFIO DO DISCERNIMENTO ESPIRITUAL

Em um meio ambiente nacional e internacional, onde as culturas estejam sendo afirmadas e onde a tolerância é esperada, onde deve­ríamos traçar a linha divisória? Por uma parte, queremos fazer valer a cultura. Afinal, Deus criou cada cultura e deu a ela um dom ou dons remidores, para a sua glória. Por outra parte, queremos des­mascarar os ludíbrios satânicos que estão bloqueando a emergência da glória de Deus. Queremos também identificar as fortalezas espi­rituais, para então, seguindo os princípios bíblicos da guerra espiri­tual, derrubar aquelas fortalezas e apresentar avisos de expulsão às forças espirituais que estão por detrás dessas fortalezas (ver 2 Co 10.2-5 e Ef 6.12). Quanto mais habilidosos nos tornarmos no campo do mapeamento espiritual, mais eficazes nos mostraremos no enfrentamento desse desafio.

Algumas vezes, saber onde traçar a linha é tarefa relativamente fácil. Pode ser feito com o bom senso espiritual. Em outras oportu­nidades, trata-se de uma situação delicada, que requer dons espiri­tuais como a profecia e o discernimento de espíritos, além de consi­derável experiência prática, no campo. Permita-me o leitor dar um exemplo pessoal e um exemplo bíblico sobre como devemos traçar essas linhas divisórias.

Limpando a Sala de Estar da Família Wagner

Os leitores de outros livros desta série já tomaram conhecimento de que minha esposa, Dóris, e eu temos tido de enfrentar espíritos malig­nos em nosso lar em Altadena, estado da Califórnia. Em um dos livros desta série, intitulado Escudo de Oração (Editora Bompastor), deta­lhei a história de como caí de uma escada, em minha garagem, e de como creio que a intercessão de Cathy Schaller, naquela ocasião, sal­vou a minha vida. As evidências apontam na direção da obra direta de um espírito maligno. Em outro livro, Oração de Guerra (Editora Bompastor), contei como Dóris chegou a ver um espírito em nosso dormitório, e de como Cathy Schaller e George Eckart, algum tempo depois, vieram à nossa casa e exorcizaram os espíritos.

Cathy e George encontraram mais espíritos em nossa sala de estar do que em qualquer outra dependência da casa. Ao partirem, eles sentiam que tinham expulsado a todos os espíritos, excetuando um, que eles discerniram estar vinculado a um puma de pedra da cultura dos índios quíchuas, que havíamos adquirido quando éramos missioná­rios na 

Bolívia. O puma não era nenhuma antigüidade, mas apenas uma reprodução para turistas; mas, a despeito disso, o invisível se havia apegado àquele objeto visível. Além do puma, tínhamos como decoração das paredes duas máscaras pagãs, usadas pelos índios chiquitanos, além de duas lâmpadas entalhadas na madeira, represen­tando a cultura dos índios aimaras.

Quando Dóris e eu voltamos do trabalho para casa, naquele dia, tínhamos de tomar algumas decisões. Onde deveríamos traçar a linha divisória? Tínhamos três coleções diferentes de objetos de arte, de três das culturas indígenas da Bolívia.

1. O puma. Crendo que um espírito maligno se havia apegado ao puma, a decisão a respeito foi simples. O puma precisava desapare­cer. Levamos o objeto para fora, quebramo-lo e jogamos os pedaços na lata de lixo.

2. As máscaras. Se o discernimento de Cathy e George estavam com a razão, então nenhum espírito se atrelara àquelas máscaras. No entanto, aquelas máscaras não eram meras reproduções para turis­tas. Elas haviam sido realmente usadas pelos índios chiquitanos em suas cerimônias animistas, com o propósito de glorificar a seus espíritos tribais. E, apesar do pouco que sabíamos naqueles dias, aquilo nos pareceu razão suficiente para nos livrarmos das máscaras, o que real­mente fizemos.

3. As lâmpadas.As lâmpadas eram coisas bem diferentes. Eram belas espécimes de arte nativa. Eram reproduções esculpidas e envernizadas de Inti, o deus-sol, que era um dos espíritos territoriais que dominavam os índios aimaras, que viviam em terras altas. Essas lâmpadas eram os objetos mais dispendiosos que tínhamos trazido da Bolívia para a nossa terra. Ajustavam-se perfeitamente bem à nossa decoração. Não estavam carregadas de demônios, como se dava com o puma. Assim sendo, discutimos e resolvemos que as deveríamos considerar como objetos de arte nativa, e não como ídolos de objetos imundos. E ficamos com as lâmpadas.

Ficamos com elas até à primeira vez em que Cindy Jacobs visitou a nossa residência. Cindy, autora do capítulo que se segue, que trata das fortalezas demoníacas, estava muito à frente de Dóris e de mim em seu discernimento de espíritos e em seu conhecimento do mapeamento espiritual. Quando ela entrou em nossa sala de estar então, com um olhar de choque em sua fisionomia, ela perguntou, apontando para as lâmpadas: "O que aquelas coisas estão fazendo aqui?" Explicamos que eram apenas lembranças inocentes, que nos faziam lembrar de nossos 

dias na Bolívia. Então Cindy disse gentil­mente: "Bem, por que vocês não oram a respeito delas?", e o assunto não veio à baila novamente.

Depois que Cindy foi embora, começamos a orar. Dessa vez, Deus orientou-nos para tomarmos uma abordagem diferente em nos­sa decisão. E finalmente percebemos que nunca tínhamos pergunta­do a nós mesmos a mais crucial de todas as perguntas: Aqueles objetos glorificavam a Deus? A luz daquilo que estávamos enten­dendo na época sobre a verdade bíblica do visível e do invisível, a resposta era um óbvio "não". As mãos que tinham feito aquelas lâmpadas, por habilidosas que elas possam ter sido, "mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível" (Rm 1.23). O resultado colimado era dar glória ao deus-sol, Inti, que seria uma mera criatura, e não ao Criador. E assim as lâmpadas também se foram!

Mais tarde, lemos em Deuteronômio 7.25, 26, trecho que se refe­re às "imagens de escultura de seus deuses", exatamente aquilo que eram nossas lâmpadas Intis. No mesmo trecho bíblico lemos que um objeto desses é uma "abominação" ao nosso Deus, e logo em seguida: "Não meterás, pois, abominação em tua casa, para que não sejas aná­tema, assim como ela; de todo a detestarás, e de todo a abominarás, porque anátema é". E, assim, percebemos claramente o quão errados estávamos, ao considerarmos aquelas lâmpadas como inocentes pe­ças de arte nativa.

Nossa casa foi purificada. E foi apenas recentemente que nossa filha já adulta, Becky, disse-nos que, quando era criança, ao caminhar sozinha pela casa, nunca entrava na nossa sala de estar. Ela não foi capaz de verbalizar as suas impressões na oportunidade, mas ela sen­tia que a nossa sala de estar estava contaminada por poderes das trevas. Quão ignorantes mostramos ser, nós, os pais dela.

Como Paulo Traçou a Linha

Parece que os crentes de Corinto eram mais ou menos tão ignorantes acerca do visível e do invisível quanto o casal Wagner. No contexto daqueles crentes, o problema surgiu quando tiveram de enfrentar a questão das carnes que tinham sido oferecidas a ídolos. E Paulo aju­dou-os onde deveriam traçar a linha, em 1 Coríntios 8-10.

Devemos entender que os aspectos visíveis daquela questão, aque­la que envolvia ídolos e carne, não constituíam o problema central. Paulo fez as seguintes perguntas retóricas: "Mas, que digo? Que o ídolo é 

alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?" (2 Co 10.19). A resposta óbvia a essas perguntas é "não". O proble­ma real acha-se nos demônios invisíveis que se postam por detrás dessas coisas visíveis.

Os crentes de Corinto ordinariamente podiam conseguir carne sacrificada a ídolos em três lugares: (1) No mercado público; (2) nas residências de amigos, em ocasiões de encontros sociais; e (3) nos pró­prios templos idólatras. Onde deveriam eles traçar a linha divisória?

1. O mercado público. Podem ir e comprar carne ali, sem fazer quaisquer indagações (ver 1 Co 10.25).

2. Jantar na casa de um amigo. Podem comer da carne, se ninguém levantar qualquer questão a respeito. Porém, se for anunciado que a carne fora oferecida a ídolos, não comam dela (ver 1 Co 10.7,28).

3. O templo idólatra. Não façam isso. Por quê? Porque, embora os espíritos invisíveis possam não estar presentes na própria carne, ou na sala de jantar do amigo, sem dúvida estão presentes nos templos idólatras. Disse Paulo: "Antes digo que as coisas que os gentios sacri­ficam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus". E ele prosseguiu: "E não quero que sejais participantes com os demônios" (1 Co 10.20).

Nem sempre é fácil saber onde devem ser traçadas as linhas divisórias. Mas sempre será sábio levantar três perguntas, sempre que restar alguma dúvida:

• Isso poderia deixar-me sujeito a alguma influência demoníaca direta?

• Isso dá qualquer aparência de mal?

• Isso glorifica a Deus?

Limites da Autoridade

Traçar a linha divisória é uma coisa. Entrar em ação direta contra algum objeto ou comportamento é algo bem diferente. Pude destruir os artefatos que estavam em minha sala de estar porque eu era o proprietário legal deles, e, assim, estavam sob a minha autoridade. Nem Becky e nem Cindy poderiam ter tomado tal iniciativa, por mais que tivessem desejado fazê-lo. Em muitas situações da vida, a pre­sença de 

objetos visíveis que glorificam à criatura, e não ao Criador, não depende de nós, e nada podemos fazer a respeito.

Para exemplificar, o edifício onde Dóris e eu temos o nosso escri­tório da A.D. 2000 United Prayer Track exibe uma estátua grosseira­mente imunda, logo em sua entrada. De fato, o dedo daquela figura indesejável aponta diretamente para a janela do meu escritório. Se eu tivesse autoridade para tanto, sem dúvida removeria a estátua e a destruiria, mas não posso fazê-lo. E, assim, visto que não posso tratar com o que é visível, tenho tratado com o que é invisível.

Dóris e eu convidamos Cindy Jacobs para juntar-se em uma pu­rificação de nosso escritório, assim que nos mudamos para lá. Ela quebrou o poder dos espíritos, dentro do escritório, e amarramos quais­quer forças das trevas vinculadas à estátua; desde então o escritório tem-se mostrado pacífico e agradável. Se ainda resta algum poder espiritual e invisível por detrás da estátua, não sei dizê-lo. Mas sei que agora estamos protegidos, por termos assumido a autoridade no nome de Jesus, sobre aquela parte do edifício que alugamos.

DEMONIZAÇÃO NACIONAL

Tenho procurado salientar que ignorar a realidade dos poderes invisíveis, por detrás dos aspectos visíveis da vida diária, podem ter efeitos sérios e mesmo devastadores, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Duas nações, ainda recentemente, tomaram insen­satas providências oficiais, no nível governamental mais alto, convi­dando os principados demoníacos para virem controlar a sua terra: o Haiti e o Japão.

O Haiti

Faz muito tempo que o Haiti é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. Através dos anos, a religião imposta pela Igreja Católi­ca Romana em nada tem ajudado o país. Um vigoroso trabalho missionário protestante também não tem ajudado. A política não tem ajudado. A ajuda financeira estrangeira, por igual modo, em nada tem ajudado.

Talvez o maior raio de esperança de um futuro melhor para o Haiti ocorreu em dezembro de 1990, quando Jean-Bertrand Aristide tornou-se 

o primeiro presidente eleito democraticamente, em toda a história do Haiti. Dentro de uma lista de onze candidatos, Aristide recebeu 67% dos votos, um fenômeno relativamente raro, em elei­ções multipartidárias.

As coisas pareciam estar melhorando. Poucos meses depois da posse de Aristide como presidente, Jim Shahim noticiou: "Agora o Haiti parece um lugar diferente". Diminuíram as violações dos direi­tos humanos. Cessou o êxodo de pessoas por meio de embarcações. Aristide, em uma visita que fez a Paris, recebeu promessas de qui­nhentos milhões de dólares, para serem empregados em certa varie­dade de projetos. As pessoas estavam falando sobre o novo aspecto do país. Até mesmo um oponente político de Aristide chamou-o de "o nosso messias de esperança".5

Preservando as raízes culturais. Mas foi então que Aristide, que também é um padre católico-romano, cônscia ou inconsciente­mente, cometeu um sério erro espiritual. A 14 de agosto de 1991, pediu oficialmente que os principais macumbeiros do vodu dirigissem uma observância nacional da cerimônia de vodu, chamada Boukmann, a fim de rededicar a nação do Haiti aos espíritos dos mortos. Essa cerimônia, conforme alguns dizem, envolve o sacrifício de animais e até de seres humanos. Para quê? Segundo alegavam, para "preservar as raízes culturais do Haiti".

Cerca de um mês mais tarde, a 29 de setembro de 1991, Aristide foi derrubado do poder mediante um golpe militar. O Haiti deu início a um mergulho sócio-econômico. Foi imposto um embargo internacio­nal sobre o país. A economia normal virtualmente deixou de existir. Milhares de empregos se perderam, muitos irrevogavelmente. Meses após o golpe, Howard W. French expediu esta notícia: "Port-au-Prince, uma agitada cidade em tempos normais, agora, por muitas vezes, mais parece uma empoeirada cidade fantasma". Os serviços públicos fo­ram suspensos por causa de falta de gasolina, e o lixo foi sendo empilhado em montões cada vez maiores, nas ruas. Muitos investido­res estrangeiros desistiram definitivamente do Haiti. A nação atingiu o ponto mais baixo na escala da miséria humana.

O que aconteceu, na realidade? Os analistas políticos são treinados para verem o que é visível. Esses dizem que Aristide foi derrubado pelos ricos por ser ele um teólogo liberal que favorecia os pobres. Ou então que os oficiais militares voltaram-se contra ele por causa de sua política anti-drogas e seu desejo de formar uma unidade de segurança fora do controle do exército. São também apresentadas outras razões.

Os mapeadores espirituais, por sua vez, vêem o que é invisível. Embora sem negarem a validade das análises políticas, esses cren­tes vêem por detrás dessas razões as operações sinistras de poderes espirituais que se utilizam de seres humanos e de estruturas so­ciais, como as forças militares, visando às suas próprias finalidades. Não somente os praticantes do vodu, mas também os espíritos territoriais que governam o Haiti, ficaram deleitados ao aceitarem o convite do presidente para que se instaurasse uma demonização nacional. Uma vez que eles adquiriram as suas fortalezas legais para vitimizarem as massas populares do Haiti, furtando, matando e des­truindo, não tinham mais qualquer uso para o seu "amigo" Jean-Bertrand Aristide, e assim relegaram-no ao rol dos que só serviam para o monturo. Seu plano para "reafirmar a cultura haitiana" foi um tiro pela culatra, porquanto ele não foi capaz de discernir o mal invi­sível dentre o bem visível.

O Japão

De certa feita perguntei de David Yonggi Cho por qual motivo ele pensava que as igrejas evangélicas crescem tão rapidamente na Coréia, mas não no Japão. A resposta dele me surpreendeu. Embora reco­nhecendo que há muitas razões para aquele fato, uma das razões, aquela que ele sugeriu, foi que tinha havido sérios danos contra a tradicional cultura coreana, em trinta e seis anos de ocupação japone­sa, e, subseqüentemente, por parte do comunismo proveniente da Coréia do Norte. O cristianismo bíblico, pois, cresceu relativamente sem o empecilho do paganismo tradicional coreano.

Por outro lado, a cultura japonesa tem permanecido virtualmente intocada durante três mil anos. O paganismo está profundamente ar­raigado no entretecido no Japão. Os espíritos que controlam o Japão têm podido lançar profundas raízes, e não se dispõem a permitir que o cristianismo tenha mais do que uma presença meramente simbólica.

O mais sério retrocesso no domínio dos espíritos territoriais do Ja­pão ocorreu durante um período de sete anos, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. A despeito de uma fachada budista, os espí­ritos mais profundamente entrincheirados no Japão são os principados que controlam o xintoísmo, que é uma forma espiritualizada de naciona­lismo. A principal figura visível, empregada por esses anjos negros, é o imperador. Na mente popular dos japoneses, o imperador é uma divin­dade. Mas como parte do processo de paz, logo após a Segunda Guerra 

Mundial, o imperador renegou publicamente essa condição de divinda­de, e o governo japonês concordou em separar-se oficialmente de qual­quer instituição religiosa, incluindo o xintoísmo. O general MacArthur convidou milhares de missionários evangélicos, muitos se apresenta­ram, e o cristianismo cresceu bem durante aqueles anos que agora são conhecidos como os "sete anos maravilhosos".

Durante mais de trinta anos, pareceu, no que é visível, que o Japão está mantendo o seu status quo. Mas no mundo invisível, os anjos negros pareciam estar recuperando o seu anterior domínio. O crescimento da Igreja evangélica diminuiu até apenas engatinhar. E então morreu o imperador Hiroíto, e seu filho, Akihito, tornou-se o novo imperador. Uma questão crucial girou em torno da cerimônia do Daijosi, o componente religioso da inauguração tradicional de todos os imperadores japoneses. O Daijosi, um ritual de ocultismo e adivi­nhação, coreografado, seria o clímax de um encontro sexual entre novo imperador e a deusa-sol, Amaterasu Omikami, a principal divin­dade que domina o Japão. Pouco muda se o contato sexual é físico (um súcubo) ou se é espiritual. No mundo invisível, o imperador e a deusa-sol tornam-se uma só carne, e, através de seu líder supremo, a nação convida que os demônios venham controlá-la.

Infelizmente para o Japão, tal qual como para o Haiti, uma deci­são insensata foi tomada, e o novo imperador resolveu reverter a po­sição de seu pai, tomada após a Segunda Guerra Mundial, e novamente, na mente popular, foi "deificado" mediante a cerimônia do Daijosi. E não somente isso, mas o governo resolveu pagar as despesas dos ritos que custaram vários milhões de dólares, apesar dos veementes protestos dos líderes evangélicos japoneses.

Desde então, como se esperava, a aberta participação de oficiais do governo, como líderes nacionais, em peregrinações e cerimônias ligadas ao tradicional paganismo japonês está em ascendência. O que isso significa para a nação japonesa, a longo prazo, é algo que ainda teremos de ver. Mas enquanto este livro está sendo preparado, a bolsa de valores do Japão, e seu efeito agitador sobre as economias tanto do Japão como do mundo todo, está em rápido declínio, como nunca antes acontecera, desde a Segunda Guerra Mundial, um declínio que vem desde a cerimônia do Daijosi.

Que Dizer Sobre os Estados Unidos?

Os Estados Unidos da América são bastante diferentes do Haiti e do Japão, ambos os quais contam com populações razoavelmente homo­gêneas. A reafirmação das "raízes culturais haitianas" ou da "tradi­cional cultura japonesa" tem um sentido largamente entendido. Mas os Estados Unidos lideram o mundo quanto ao multiculturalismo naci­onal. Nos Estados Unidos, a reafirmação só poderia ocorrer se fosse feita de cultura em cultura.

No momento não é considerado "politicamente correto" reafir­mar as nossas raízes culturais e coloniais anglo-americanas, proce­dentes da Nova Inglaterra, da Virgínia, ou das raízes batavo-america­nas de Nova Iorque, ou das raízes germano-americanas da Pennsylvania, ou mesmo das raízes escandinavo-americanas. Mui sig­nificativamente, essas são as culturas norte-americanas que foram mais profundamente influenciadas pelo cristianismo e que emergiam da reforma protestante, por mais imperfeito que tenha sido e continue sendo esse movimento cristão.

Antes, a nova excitação cultural que há nos Estados Unidos pa­rece girar em torno de culturas minoritárias, como a dos indígenas norte-americanos, divididos em muitas tribos, os afro-americanos, e vários asiáticos-americanos. Entre os hispano-americanos tem surgi­do uma tendência que tem procurado diminuir a herança espanhola européia, e tem procurado enfatizar as raízes nativas dos astecas, dos maias ou dos incas. Conforme vem sendo revelado pela nossa nova compreensão do visível e do invisível, essa reafirmação cultural pode ser vista como passos criativos para a frente, em favor de nossa na­ção, embora também sirva de convite para uma séria queda espiritual.

O passo para a frente, conforme já foi frisado, está trazendo à luz os dons remidores que Deus tem implantado em cada cultura, a fim de glorificar a si mesmo. Nossas culturas são intrinsecamente boas, por­quanto refletem o Criador. Deveríamos afirmar isso em cada uma das culturas que fazem parte dos Estados Unidos da América.

Mas também precisamos reconhecer que Satanás tem corrompi­do de tal forma as culturas que algumas de suas formas, como a arte e a arquitetura, e, particularmente, alguns de seus padrões de compor­tamento, como as danças e os ritos religiosos, evidentemente visam a glorificar à criatura, e não ao Criador. As culturas cujas raízes religio­sas exaltam os espíritos demoníacos precisam ser afirmadas com tan­ta cautela nos Estados Unidos, quanto o têm sido no Haiti e no Japão. De outra sorte, as forças invisíveis das trevas, assim convidadas para que 

intervenham na vida nacional, certamente proliferarão e provocarão Deus à ira. Deus não tolerará a prostituição espiritual nos Estados Unidos mais do que tolerou em Judá, nos dias do profeta Jeremias, e o juízo divino é o resultado previsível disso. Tristemente, em vez de ver­mos o alívio do sofrimento humano, podemos ver esse sofrimento in­tensificar-se.

O Havaí Corre Perigo?

O Havaí, o qüinquagésimo estado norte-americano, atualmente está vivendo em meio a um forte movimento, liderado por algumas de suas principais figuras, que busca valorizar a cultura havaiana. A 21 de agosto de 1992, o governador do Havaí, um dos senadores norte-ame­ricanos e muitos outros oficiais do governo participaram de um rito do paganismo tradicional do Havaí, rotulado como "cerimônia de cura", em favor da desabitada ilha de Kahoolawe. A cerimônia inclui o ofe­recimento de corais no altar dedicado aos espíritos das trevas, bem como o ato de beber a sagrada awa. Parley Kanakaole, líder que dirigiu o evento, interpretou os atos dos oficiais do governo como se quisessem dizer: "Sim, darei apoio à herança cultural do Havaí, e tudo quanto significa ser um kanaka maoli (um verdadeiro havaiano)".7

Um propósito declarado desse processo seria reparar o dano fei­to no Havaí pelo cristianismo. Referindo-se a esse evento, Laurel Murphy diz que depois que os missionários cristãos chegaram, "co­meçou a morrer o poder dos deuses havaianos, e, juntamente com isso, o poder dos varões havaianos". Parley Kanakaole "sabia que o novo heiau (templo) tinha de ser uma mua ha'i kupuna, o lugar de adoração da família, no antigo Havaí, onde os homens invocavam os antepassados em sua ajuda".8

Ironicamente, o lema do estado do Havaí é o seguinte: "A vida da terra é perpetuada pela justiça". Isso reflete o dom remidor de Deus para o Havaí. Essa justiça seria perpetuada se Jesus Cristo fosse exaltado como legítimo Senhor do Havaí, redundando isso na glória do Criador. Mas o contrário também é uma possibilidade: a morte da terra é perpetuada pela injustiça. Conforme já pudemos mencionar, a ira de Deus é vertida sobre as pessoas que "detêm a verdade em injustiça" (Rm 1.18), quando elas glorificam antes a criatura do que ao Criador. Minha oração é que isso não venha a acontecer no Havaí.

Perguntas para refletir

1. Você pode pensar em quaisquer instâncias, à parte daquelas men­cionadas neste capítulo, onde pessoas tenham abertamente dado glória à criatura, em vez do Criador?

2. Pense sobre os nomes demoníacos dados a certos pontos desta­cados do Grand Cânion. Por que isso produz uma "ira justa" em certas pessoas?

3. Sua cidade tem um dom remidor. Segundo você pensa, quais são algumas possibilidades acerca do que consiste esse dom da sua cidade? Que dizer sobre outras cidades próximas?

4. Discuta alguns pontos específicos dos perigos de afirmar o paganismo, ao mesmo tempo em que se tenta recuperar cultu­ras antigas.

5. Revise a purificação da sala de estar da família Wagner. Você teria removido o puma? as máscaras? as lâmpadas? Por quê?